Aqui fica o registo a demonstrar que o nosso património pode e deve relacionar-se com os anseios do nosso presente colectivo.
Parabéns Ponta Delgada
associação ecológica pela defesa da natureza do ambiente e do património
Está em curso, em Angra , uma pomposa conferência Transatlântica sobre Energias Renováveis á qual, com muita pena não assistirei porque não consegui adiar uma agenda com peritos em Sismologia Vulcânica que se d eslocaram aos Açores.
E tenho pena porque, partindo do pressuposto que existirá diálogos com a assistência, seria possível discutir a questão geotérmica da Terceira com alguns dos participantes.
Como se sabe , a exploração geotérmica terceirense ,á semelhança dos Gatos Fedorentos, “ é uma espécie de projecto geotérmico”, quase messiânico e ,consequentemente envolvido em segredos de restrito acesso.
Não duvido do projecto geotérmico da Terceira até porque constitiu uma equipa interdisciplinar para o respectivo arranque em 1997-98! Essa fase pioneira e arriscada faleceu rapidamente por motivos meramente pessoais , coisa típica em meios pequenos e mesquinhos como o”meio açoriano”,nomeadamente quando estão envolvidas partidarites. Em vez de nos auxiliar a estruturar e a caminhar melhor alicerçados, o Governo Mota Amaral moveu-me uma guerra absurda e ignóbil que terminou no Tribunal de Ponta Delgada, em 1991 !!!, com a absolviçãp total e unânime de todos os arguidos (eng Jose Mendonça,engº Jorge Carreiro, engº Eduardo Moura e eu , o principal visado ). O Ministério Público nem recorreu . Nem uma linha , pedindo desculpas, escreveu o dito governo Mota Amaral--- enxovalharam-se dedicados técnicos, apresentaram-se horríveis deurpações da verdade (desmontadas uma a uma ) e tudo ficou como nada fosse. A minha reintegração ,em 1990, no projecto geotérmico (então á beira da falência de uma administração Rosa Nunes ) nunca apagará as chagas de ferozes golpadas.
Mas , voltando á Terceira, onde a geotermia terá algum,a viabilidade, constituiu-se uma estranha sociedade , a Geoterceira , que tudo esconde dos especialistas exteriores á empresa (como eu) com o argumento de que é uma empresa….privada. E marcam-se, com o maior desplante, datas para uma certíssima central geotérmica de 12 megawats !
Como, pergunto eu? Se não foi realizado um único poço de avaliação. Se não foi realizado um único teste de p+rodução . Se o figurino geotérmico da Terceira é bem diferente e mais complicado do que o do Vulcão do Fogo de S.Miguel, como se pode publicamente garantir que em 2007, depois 2008, depois 2010, depois?? vai haver um central de 12 MW na Terceira, só faltando dizer a marca ?
E as questões ambientais , bem mais complexas do que em S. Miguel ? E porquê sempre e sempre a americana Geotermex , em detrimento de empresas europeias ?
Quando a formação duma escola de técnicos locais de geotermia, treinados no estran geiro e recebendo ensinamentos? Porquê o receio da crítica e da discussão?
É TEMPO DE MUDAR — e eu não faço sombra a ninguém. Aproximo-me da reforma mas ninguém me pode impedir de pensar, de opinar.
Não digam mais balelas e não sejam precocemente senis .
Victor Hugo Forjaz
Professor com Agregação em Geotermia
- artigo publicado no Diário Insular
Já tinha iniciado a escrita de um texto sobre a Ferraria quando me chegou a informação de que a empresa a quem foram adjudicadas as obras das Termas quer fechar o acesso por nove meses .
Se não fosse alguém que me merece todo o crédito francamente nem tinha acreditado porque quem tenha autorizado isso nem imagina o pesadelo de relações públicas em que se meteu .
Para mais em ano de eleições autárquicas .
Como se já não bastasse o secretismo e a falta de informação sobre o projecto aos cidadãos tanto os dos Ginetes como todos nós que temos o direito de saber o que querem lá fazer e a tempo de nos pronunciarmos .
Já a obra anterior ,em que havia alguma razão para fechar a estrada em alguns dias porque ocupava metade da largura da mesma para a passagem dos tubos de água e condutas de electricidade , deu os conflitos que deu quase chegando a vias de facto e realmente nessa os incómodos acabaram por até nem serem assim tão grandes .
Nesta obra em que apenas se vai fazer na estrada um muro de protecção lateral para reter as pedras que caem da encosta só alguém de má fé pode dizer que é necessário fechar a estrada para isso .
Depois da intervenção desastrosa e custosa ( ainda estou á espera de serem publicadas as contas finais do material que foi directamente para o lixo) na zona da Poça onde ainda há muito a limpar e parafusos para arrancar é agora que está a começar a melhor época para as pessoas gozarem aquele local que o pretendem fechar ?
Antes se preocupassem em obrigar quem destruiu uma parte do caminho com uma máquina que nem podia lá circular a reparar rápidamente os estragos mas quem sabe diz que nem processo tem aberto .
E assim vai a protecção das Zonas especiais da natureza .
O que a Ferraria precisa para além da limpeza dos restos da intervenção da SRAM é de cuidado no manuseamento das rochas dentro da Poça , é da presença de um geólogo que explique ao operador da máquina para não deixar a frente de rocha desagregável subjacente á lava exposta ás ondas o que já fez que este ano a zona limite da poça recuasse dois metros .
Note-se que não está em questão a perícia do operador que fez um arranjo que , embora alto de mais para meu gosto ,conseguiu resistir aos temporais de inverno .
Apenas a zona de onde sai a água quente precisa da atenção de um especialista caso contrário dentro de alguns anos terá colapsado podendo até provocar o desvio ou extinção do recurso .
Finalmente espero que o bom senso prevaleça e os direitos tradicionais das pessoas que frequentam a Ferraria sejam respeitados e note-se que conheço pelo menos seis pessoas que lá vão regularmente por motivos de saúde e não tem qualquer hipótese de descer aquilo a pé .
Se não for esse o caso depois do que lá ouvi ontem sobre o fecho acho que vamos ter muitas noticias na nossa RTP- Açores e nos vamos divertir ainda como no tempo das portagens na Ponte 25 de Abril em Lisboa .
João Paim Vieira