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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Uma Volta Até ao Calhau - Palestra realizada no Rádio Clube de Angra, pelo Tenente Coronel José Agostinho.


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O tenente-coronel José Agostinho, como era conhecido entre os seus conterrâneos, tornou-se ao longo de uma vida dedicada à ciência, numa das personalidades mais louvadas e mais admiradas da sua época.

Modesto, contudo consciente da sua superioridade, tinha o dom de se relacionar com toda a gente e sobretudo de encontrar pontos de interesse comum com os seus interlocutores.

Era continuamente procurado por cientistas de visita às ilhas, por intelectuais, por jovens estudantes, por simples curiosos deste ou daquele aspecto da história dos Açores ou por observadores da natureza e a todos recebia e acolhia com grande bonomia.

Gostava, creio eu, de se considerar uma espécie de patrono cultural e sobretudo de ser reconhecido como um mestre mesmo para além das áreas da sua especialidade.

Tendo começado a sua vida como militar da arma de artilharia, onde foi oficial distinto e com actuação destacada na 1ª Guerra Mundial, nunca perdeu o perfil de um oficial das Forças Armadas, apesar de nunca o ter visto fardado.

Abandonou praticamente a vida militar a partir de 1926 para se dedicar de alma e coração à Metereologia, tornando-se uma sumidade nessa área, com reconhecimento internacional, mas isso não o desviou de uma insaciável vontade de compreender o Mundo com um todo. A natureza fascinava-o e nunca se cansou de observar, para a partir daí explicar o seu funcionamento. A sua ilha, a Terceira e os Açores em geral, eram para ele uma espécie de laboratório gigante, onde se movia fascinado. Recorria a uma rede de informadores, como prova a sua epistolografia, para recolha de dados que depois trabalhava no seu modestíssimo gabinete.

Esses observadores, a quem pacientemente ia formando, tornavam-se por sua vez em amigos e quantas vezes confidentes, o que facilitava, é óbvio, os contactos e mantinha as fidelidades.

José Agostinho possuía também uma vocação pedagógica, que o levava a gostar de ensinar e a fazer discípulos. Explicava com simplicidade e linguagem clara os fenómenos naturais que observava e para as suas lições usava todos os meios, quer fosse a conversa pessoal com quem o procurava ou até com um simples cidadão que encontrasse nos seus passeios diários, quer fosse nos jornais e na rádio, onde sempre colaborou com entusiasmo e persistência. No Rádio Clube de Angra, praticamente desde a sua fundação, uma vez por semana, dava uma aula sobre os mais variados temas, com grande êxito porque a sua clareza e a sua clarividência a todos atraia e a todos entusiasmava.

Este invejável poder de comunicação transformava-se numa simbiose entre o cientista e os seus concidadãos, que o tomavam com um guia.

A sua opinião era sempre tida como a mais válida e na generalidade aceite por todos e por isso fazia dele uma espécie de autoridade. Daí invocar-se a sua opinião, o seu saber e a sua orientação praticamente para tudo, desde a ciência, à vida cívica e à vida intelectual, porque José Agostinho era uma personalidade multifacetada e fascinante. Um humanista na verdadeira acepção da palavra.
Angra do Heroísmo, Outubro de 2009.
José Guilherme Reis Leite

domingo, 16 de setembro de 2012

Os elefantes comem-se às Fatias




Foto da autoria de Carlos Rego - CML


Ângelo Felgueiras começou por escalar montanhas por gosto, atingindo o Cume do Kilimanjaro, com 5963 metros, em África, em 1997. Com isto ele iniciava a sua conquista dos “Seven Summits”, as montanhas mais altas de cada um dos continentes.
Em 2007, ao escalar o Denali (6195m), no Alasca, teve pela primeira vez o patrocínio da GROUPAMA Seguros e, nesse mesmo ano, com outra escalada promoveu a criação da biblioteca infanto-juvenil da Associação Moinho da Juventude, em Amadora. No ano seguinte já estava a “escalar por uma causa”, revertendo os fundos obtidos pela sua campanha para instituições carenciadas.
No ano de 2009, começou a subida ao Monte Evereste (8850m), atribuindo o valor de €1 a cada metro a reverter na totalidade para o ATL da Galiza, com o objetivo de comprar uma carrinha nova para a Escolinha de Râguebi da Galiza. Este ano, acabou o seu projeto dos “Seven Summits” ao subir o Monte Vinson (4892m), na Antárctica. Com estas e outras ações, Ângelo demonstra que os elefantes comem-se às fatias, pois se for feito “um bocadinho” todos os dias, no fim tem-se algo grande.
Este último tema foi precisamente o da sua recente palestra nos Açores, organizada pela Associação Amigos do Calhau e pelo CEFAL, em parceria com muitas outras entidades, a 23 de Agosto, em S. Miguel, na Pousada de Juventude da Lagoa, onde explicou à sua audiência os seus projetos e as suas viagens e sensibilizou-a para também ajudar os que mais necessitam. Durante este evento houve também uma parede de escalada montada para os mais novos, pelo CALAG, que, sob a orientação do professor Luís Guimarães, tem feito um excelente trabalho na formação dos nossos jovens.